O Evangelho da Glória de Deus e De Cristo – Hermisten Maia

O Evangelho da Glória de Deus e De Cristo – Hermisten Maia

O Evangelho da Glória de Deus e De Cristo – Hermisten Maia

    “A primeira e maior verdade acerca da salvação é que ela nos revela a glória de Deus, a majestade, o esplendor de Deus” – D.M. Lloyd-Jones.[1]  

    

“…O Evangelho da Glória de Cristo, o qual é a imagem de Deus” (2Co 4.4). “… O Evangelho da glória de Deus” (1Tm 1.11).

Deus, o nosso Pai, é o Deus glorioso (Mt 6.9,13), Aquele que habita o céu. A glória de Deus é a beleza harmoniosa de Suas perfeições e da Sua obra salvadora; “é a refulgência da plenitude dos Seus atributos”.[2]

A glória de Deus é tão eterna quanto Ele o é. O Deus a Quem oramos é eternamente o Deus da glória: A Ele pertencem “o reino, o poder e a glória para sempre” (Mt 6.13).

Jesus Cristo, nas horas que antecediam a Sua auto-entrega em favor do seu povo, ora ao Pai: “…. Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti (…). Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17.1,4,5). O Deus Trino é o Senhor da glória. “O grande desejo de nosso Senhor em toda a Sua vida na terra era glorificar Seu Pai”.[3]

A glória de Deus se revela na Sua Criação e na Sua obra salvadora, por intermédio da qual Ele redime o Seu povo. Portanto, nós podemos chamá-lo de Pai, porque Ele, na manifestação da Sua glória, nos salvou. A nossa salvação se constitui na maravilhosa demonstração da glória de Deus. Na Igreja a glória da graça de Deus se revela de forma inimaginável para todos aqueles que conheciam aqueles que hoje constituem a Igreja. Somente um Deus glorioso em Si mesmo poderia se revelar glorioso em Sua graça operando do modo que fez, nos tornando instrumentos de louvor de Sua glória. Isto tudo foi possível no “Amado”, em Cristo Jesus, o Senhor da glória (Ef 1.6,12).[4] Somente Deus com um tal amor pelo Seu povo poderia revelar-se gloriosamente desta forma (Jo 3.16).

A Palavra de Deus nos diz: “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia as obras das suas mãos” (Sl 19.1). “Em suas obras há glória e majestade, e a sua justiça permanece para sempre” (Sl 111.3). Deus declara diretamente: “A todos os que são chamados pelo meu nome, e os que criei para minha glória, e que formei e fiz” (Is 43.7).

Portanto, a nossa oração deve vir acompanhada previamente do senso de adoração: Deus é o Senhor da glória; e de gratidão: a nossa salvação é por meio de Sua glória e para a Sua glória.

A glória do Evangelho começa em Deus Pai. O Evangelho é glorioso porque origina-se e pertence a Deus. “…. O evangelho da glória de Deus” (1Tm 1.11). O Evangelho também é “da Glória de Cristo”, porque Jesus Cristo é Deus: “é a imagem de Deus” (2Co 4.4). “O Evangelho não começa nem mesmo pelo Senhor Jesus Cristo, começa por Deus o Pai. Sempre e em toda parte da Bíblia começa por Deus o Pai, e nós devemos fazer o mesmo, porque essa é a ordem presente na Trindade santa e bendita: Deus o Pai, Deus o Filho, Deus o Espírito Santo”.[5]

Uma das expressões mais completas das “insondáveis riquezas de Cristo” é-nos manifestada no fato da encarnação do Verbo eterno de Deus. Daí que o Evangelho é a Boa Nova da glória de Cristo e da glória de Deus: Jesus Cristo é Deus. Em Cristo resplandece a Majestade Divina: “E o Verbo se fez carne e habitou entre nós, cheio de graça e de verdade, e vimos a sua glória, glória como do unigênito do Pai” (Jo 1.14). Somente Deus é glorioso.

O Evangelho nos enriquece. Jesus Cristo, o Senhor da glória, rico em Sua glória eterna (1Co 2.8; Tg 2.1/Jo 17.1-5)[6] fez-se pobre por amor do Seu povo a fim de que fôssemos enriquecidos na plenitude de Sua graça: “Pois conheceis a graça de nosso Senhor Jesus Cristo, que, sendo rico (plou/sioj), se fez pobre por amor de vós, para que, pela sua pobreza, vos tornásseis ricos (ploute\w) (2Co 8.9). Na realidade, a Sua humilhação (encarnação e morte) e exaltação (ressurreição, glorificação e ascensão) não afetaram a essência da Sua natureza Divina. “Quando Ele tomou sobre Si a forma de um servo em nossa natureza, Ele se tornou aquilo que nunca havia sido antes, mas não deixou de ser aquilo que sempre tinha sido em Sua natureza divina. Ele, que é Deus, não pode deixar de ser Deus. A glória da Sua natureza divina estava velada, de forma que aqueles que O viram não acreditaram que Ele era Deus. Suas mentes não podiam entender algo que eles nunca haviam conhecido antes, que uma e a mesma pessoa pudesse ser Deus e homem ao mesmo tempo. Todavia, aqueles que creem sabem que Ele, que é Deus, humilhou-se ao assumir a nossa natureza, a fim de salvar a Igreja para a eterna glória de Deus”.[7]

É por isso que o Evangelho consiste no anúncio da riqueza da graça de Cristo. Paulo assim o designa: “Evangelho das insondáveis riquezas de Cristo” (Ef 3.8).

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Maringá, 18 de janeiro de 2016.

Rev. Hermisten Maia Pereira da Costa.

Integra a Equipe de pastores da Primeira Igreja Presbiteriana em São Bernardo do Campo, SP e é Pastor-efetivo da Igreja Presbiteriana do Jardim Marilene, Diadema, SP.

[1]D.M. Lloyd-Jones, O Supremo Propósito de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1996, p. 125.

[2]J. Ridderbos, Isaías: Introdução e Comentário, São Paulo: Vida Nova;  Mundo Cristão, 1986, (Is 6.1-4), p. 94.

[3]D.M Lloyd-Jones, Salvos desde a Eternidade, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 2005 (Certeza Espiritual: v. 1), p. 47.

[4] Veja-se: David M. Lloyd-Jones, O Supremo Propósito de Deus, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1996, p. 123-131.

[5]D.M Lloyd-Jones, Salvos desde a Eternidade, p. 45.

[6]“Sabedoria essa que nenhum dos poderosos deste século conheceu; porque, se a tivessem conhecido, jamais teriam crucificado o Senhor da glória” (1Co 2.8). Meus irmãos, não tenhais a fé em nosso Senhor Jesus Cristo, Senhor da glória, em acepção de pessoas” (Tg 2.1). “Tendo Jesus falado estas coisas, levantou os olhos ao céu e disse: Pai, é chegada a hora; glorifica a teu Filho, para que o Filho te glorifique a ti, assim como lhe conferiste autoridade sobre toda a carne, a fim de que ele conceda a vida eterna a todos os que lhe deste. E a vida eterna é esta: que te conheçam a ti, o único Deus verdadeiro, e a Jesus Cristo, a quem enviaste. Eu te glorifiquei na terra, consumando a obra que me confiaste para fazer; e, agora, glorifica-me, ó Pai, contigo mesmo, com a glória que eu tive junto de ti, antes que houvesse mundo” (Jo 17.1-5).

[7] John Owen, A Glória de Cristo, São Paulo: Publicações Evangélicas Selecionadas, 1989, p. 30. Veja-se: Wayne A. Grudem, Teologia Sistemática, São Paulo: Vida Nova, 1999, p. 465.

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